quinta-feira, 19 de abril de 2012

DONA PULQUÉRIA...

 
 
Pulquéria Natália de Araújo, nasceu na Fazenda Timbaúba em 07 de julho de 1888. Casou-sem com seu primo Jonas Batista Pereira em 27 de maio de 1908. Jonas nasceu em 05 de novembro de 1886.
Após o casamento foram morar no Sítio Cipó de propriedade do pai de Jonas. No Sítio Cipó tinha uma fauna invejável: gado-do-mato, guaxinis, raposa,  passarinhos hoje extintos, camaleões, etc.
Posteriormente, em uma parte do mesmo sítio, construíram casa (onde passaram a residir), açude, casa para morador e instalações de engenho de rapadura.
Jonas era marchante, agricultor, construtor e projetista prático de açudes, barreiros e barragens, pequeno industrial artesanal de paradura e derivados da mandioca.
Era carinhoso com todos, vivia só para dar suporte à família.
Incentivou a educação do local, levando para o Sítio Cipó o professor Juvenal,  que era irmão de Adélia segunda esposa de João Clemente,  para ministrar aulas aos parentes próximos, em instalações precárias do referido sítio.  Como as instalações não mais comportava a quantidade de alunos e diante da necessidade de se criar uma escola que pudesse minimamente suprir de ensino o crescente número de alunos, o irmão de Jonas, Joaquim Ábdon,  transformou a velha casa onde existia uma craibeira em uma escola, a primeira do lugar.
Pulquéria era mulher dedicada ao lar, excelente dona de casa, atributo que na época, tinha um conceito diferente do atual. Possuir excelência nessa função representava saber administrar uma casa sem as inúmeras facilidades hoje existentes. Representava cozinhar para um batalhão de pessoas, costurar para vestir filhos  e a moradia; requeria obter conhecimentos mínimos necessários para prestar orientação educacional aos filhos; transmissão de dotes artísticos. Era um conjunto de atividades que mesmo sem conhecer os atuais conceitos de qualidade devia ser executadas de forma primorosa e em harmonia.
Entre outras qualidades artísticas, possuía grande habilidade para trabalhar com palha de carnaúba, confeccionando bolsas e outros utensílios, que eram usadas pela sociedade da época. Também era ótima mãe, criou 11 filhos, dos 16 gerados, perdeu quatro abortados precocemente, e um deles em tempo normal que iria se chamar Severino.
Segundo a tradição oral de familiares, Pulquéria, quando se achava sem dinheiro para comprar algo para seus filhos (roupas, sapatos, etc.), tirava um pouquinho de arroz e outros produtos que ram produzidos no Sítio Cipó, para vender. Isso escondido de Jonas. Mas ele muito inteligente notou que estava sumindo arroz e outros produtos, querendo descobrir quem estava tirando coisas resolveu escrever para Zé Moura, que dizia advinhar  os sumiços das coisas. O tal homem respondeu para Jonas nos seguintes termos: " Plantou mandioca, nasceu maniva, ladrão de casa ninguém se livra! "
Daí por diante Jonas descobriu que era Pulquéria quem tirava os produtos. Pulquéria zelava de forma especial, pela apresentação impecável de toso os seus filhos.  Tudo isso custava dinheiro e segunda contava-se, Jonas era um homem muito controlado; controle esse justificável pela imensa responsabilidade de prover de alimentos, moradia, vestuário e educação para 11 filhos.
Conta-se ainda que Jonas tinha frequentemente dor de cabeça, que só era curada  com a ingestão de Melhoral. Certa vez, estando no sítio e sentindo desconfortável dor,  pediu que Pulquéria lhe trouxesse o comprimido. Não tendo o comprimido no sítio, conhecendo seu marido, sabia que sem o remédio ele não conseguiria dormir; usou de criatividade: Levou um botão em substituição ao comprimido, Jonas não percebeu a diferença,  engoliu o botão, acalmou-se. Passado algum tempo ela perguntou se ele estava bem,  e ele disse que sim, pois o Melhoral era um santo remédio.
Era uma mulher muito bonita que chamava a atenção por onde passava. Pulso firme, valente nas decisões, quando tomava uma decisão que descobria ter sido inadequada, apesar de sua firmeza, sabia reconhecer e assumia nova posição. Exemplo disso foi quando desaprovou o casamento de sua filha Almira,  tendo depois buscado a conciliação.
Do casal nasceram os seguintes filhos :
- Maria Dona de Araújo, nasceu em 27 de abril de 1909. - José Lázaro de Araújo, nasceu em 11 de fevereiro de 1911. - Francisco Jonas Batista, nasceu 11 de novembro de 1913. - Ábdon Batista Neto, nasceu em março de 1915. - Dina Araújo Batista, nasceu em 30 de junho de 1918. - Almira Pereira Mendes, nasceu em 22 de outubro de 1921. - Nabôr Batista de Araújo, nasceu em 12 de julho de 1923. - Bianor Batista de Araújo, nasceu em 12 de setembro de 1924. - Mirabeau Pereira de Araújo, nasceu em 13 de agosto de 1927. - Maria das Dores de Araújo Freitas, nasceu em 02 de novembro de 1929. - Ana Pulquéria de Araújo, nasceu em 18 de junho de 1933.
 
Hoje são, aproximadamente, 191 descendentes do casal Pulquéria e Jonas,
entre filhos, netos, bisnetos e trinetos.
Na família Pulquéria e Jonas desenvolveram-se vários artistas,
comerciantes, bordadeiras, ótimas cozinheiras, costureiras, 
cabeleireiras, doceiras, médicos, advogados e psicólogos.
O casal está sepultado na cidade de Caicó/RN.
AUTOR:   ARYSSON SOARES DA SILVA

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